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Empresas Familiares Estão Morrendo Por Dentro — E Os Donos Nem Percebem



Por Marco Antonio Lampoglia, CEO da Active Escola de Negócios

“Não é o mercado que vai destruir sua empresa. É a ilusão de que você está no controle.”

Enquanto o dono comemora os resultados do trimestre, a empresa sangra silenciosamente por dentro. O problema não está na planilha, nem nos concorrentes. Está na mentalidade que comanda a organização — centralizadora, intuitiva e presa ao passado.

Boa parte das empresas familiares brasileiras estão adoecendo por confundir planejamento com gestão estratégica. E pior: continuam acreditando que cultura organizacional é um tema “bonito”, mas supérfluo.

A Grande Confusão

Planejamento estratégico é o que você apresenta. Gestão estratégica é o que você sustenta, corrige e executa com coerência todos os dias. Um planejamento não sustentado por cultura, liderança e governança é só teatro corporativo.

Na prática, o que vemos:

  • Metas que ninguém entende ou acredita;

  • Decisões importantes travadas no “coração do fundador”;

  • Estratégias desconectadas da cultura real da empresa;

  • Uma liderança operacional, sufocada e sem direção.

A Cultura Que Ninguém Quer Olhar

Você pode ter um plano perfeito. Se sua cultura for medrosa, reativa e paternalista, sua empresa vai boicotar a própria estratégia. Cultura é o terreno onde a estratégia tenta nascer. Se o solo for tóxico, nada floresce.

E isso é ainda mais grave nas empresas familiares, onde:

  • A cultura da “lealdade cega” prevalece sobre a meritocracia;

  • O poder real está fora dos conselhos e dentro do WhatsApp da família;

  • A resistência a mudanças é vendida como “manter a essência”.

O que os Donos Não Querem Ver

  • A sucessão não está preparada.

  • A liderança média tem medo de agir.

  • Os melhores talentos estão indo embora em silêncio.

  • E a cultura virou um conjunto de rituais ultrapassados mascarados de tradição.

Enquanto isso, os donos seguem dizendo: “sempre foi assim, sempre deu certo”.

Deu certo até agora. Mas e daqui para a frente?

O Caminho de Volta à Vida

Quer parar de “morrer por dentro”? Comece aqui:

1.     Profissionalize a gestão com governança real, não decorativa.

2.     Implemente uma cultura de autonomia, responsabilidade e aprendizado.

3.     Separe gestão estratégica de planejamento tático — e monitore por indicadores.

4.     Forme líderes com visão de futuro, não apenas herdeiros obedientes.

5.     Associe estratégia e cultura como dois lados da mesma moeda.

O Dado Que Ninguém Quer Enfrentar

Segundo a PwC, apenas 12% das empresas familiares brasileiras chegam à terceira geração. E não é por causa da economia, do governo ou da concorrência. É por falta de coragem para mudar de verdade.

As empresas familiares brasileiras não estão falindo. Estão morrendo de dentro para fora. E os donos, muitas vezes, são os últimos a perceber.

O antídoto não é tradição. É transformação. E ela começa por quem tem coragem de olhar no espelho e admitir: “não basta amar esse negócio — eu preciso aprender a deixar ele crescer sem mim.”

 

 
 
 

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